
As estrelas na fachada de um hotel parecem uma informação universal, mas no Brasil elas podem significar coisas diferentes. Há estabelecimentos que exibem categorias atribuídas por guias, por plataformas de reserva ou por eles mesmos, e há o sistema oficial, criado pelo governo federal. Entender a classificação hoteleira ajuda a interpretar o que se promete na hora da reserva.
O Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem, conhecido pela sigla SBClass, foi instituído em 2011 pelo Ministério do Turismo. Ele foi desenvolvido em parceria com o Inmetro e com representantes do setor, e define requisitos para que um estabelecimento possa usar oficialmente a categoria de uma a cinco estrelas.
O sistema reconhece sete tipos de meio de hospedagem, cada um com uma faixa própria de estrelas, com número mínimo e máximo definidos para a modalidade:
A separação por tipo é importante: uma pousada de quatro estrelas não é avaliada pelos mesmos critérios de um hotel urbano de quatro estrelas. Cada modalidade tem características próprias, e o sistema tenta comparar iguais com iguais.
A classificação se baseia em uma lista de requisitos divididos em três grandes grupos:
Parte dos requisitos é obrigatória para cada categoria e parte é eletiva. Para obter a classificação, o estabelecimento precisa cumprir todos os obrigatórios e ao menos 30% dos eletivos, além de passar por análise de documentos e por uma visita de avaliação no local. Essa combinação dá flexibilidade para que hotéis diferentes cheguem à mesma categoria por caminhos distintos, sem abrir mão do básico.
A adesão ao SBClass é voluntária. O estabelecimento precisa estar regular no cadastro de prestadores de serviços turísticos do Ministério do Turismo, solicitar a classificação e passar por avaliação. Quem não é classificado pode funcionar normalmente, mas não deve exibir estrelas como se fossem oficiais. Muitos hotéis, especialmente os independentes, preferem não fazer o processo.
Na prática, a reputação construída em plataformas de reserva e em sites de avaliação acabou ocupando o espaço que as estrelas oficiais deveriam ter. Para muitos viajantes, a nota dada por outros hóspedes pesa mais do que um selo. Redes hoteleiras também têm padrões internos de marca que funcionam como referência para quem já conhece a bandeira.
O resultado é um cenário misto: há estrelas oficiais, estrelas atribuídas por plataformas com critérios próprios e categorias informadas pelos próprios estabelecimentos. Nem sempre fica claro qual é qual.
Algumas atitudes ajudam a não se frustrar:
Todo hotel no Brasil é obrigado a ter classificação por estrelas? Não. A adesão ao sistema oficial é voluntária. O cadastro no Ministério do Turismo é exigido dos meios de hospedagem, mas a classificação por estrelas depende de solicitação do estabelecimento.
As estrelas das plataformas de reserva são oficiais? Nem sempre. Muitas plataformas atribuem categorias com critérios próprios ou repassam a informação fornecida pelo hotel. Vale conferir a descrição dos serviços antes de reservar.
Um hotel sem classificação oficial pode funcionar normalmente? Sim, desde que esteja regular no cadastro do Ministério do Turismo e cumpra as demais exigências legais. O que ele não pode é anunciar estrelas como se fossem do sistema oficial.